Uma experiência que mistura conceitos de intervenção em arte e tecnologia, mapeamento e educação para trabalhar as questões dos dados abertos, da construção coletiva, da multidão e da liberdade nos dias de hoje. Esta intervenção acontece numa fronteira que existe entre dados de celular, internet e geolocalização e alí revela suas relações de poder, de privacidade e dos paradigmas de funcionamento que poderiam atender a outras lógicas realmente coletivas e abertas. Foi em busca dessa figura coletiva, com a essência criativa e libertária que a internet fomentou desde o seu início, que decidimos fazer esse projeto. Uma vivência única que compartilhamos com todos agora a partir deste Estudo Livre.

Começava a Virada Cultural e lá haviam 50 monitores mergulhados na multidão interagindo, conectando, geolocalizando.

Eles traziam iPads e conversavam com o pessoal, assim conheceram mais sobre o comportamento do público. Descobriram, por exemplo que existe um monte de gente de Salvador que vem todo o ano para a virada cultural e isso foi só o começo. Ao serem abordados, a maioria das pessoas aceitou participar da intervenção e muitas baixaram o APP ali mesmo, curiosas para ver o resultado final. Eles sacavam a relação da intervenção com o evento e disseram que não costumavam pensar sobre a questão da privacidade dos dados de celular até aquele momento. Para muitos interatividade e tecnologia é algo restrito às redes sociais. Alguns ficaram espantados de poderem participar de uma intervenção como o Mapa de Público. Dentre toda a diversidade de público esperada chamou a atenção uma grande presença de pessoal da terceira idade, alguns com seus netos, nos horários mais cedo. Houve uma minoria que vagou pelo vale sem interesse em entender o que significava os mapas e as fotos do midiática, simplesmente achou interessante as luzes coloridas.


Um casal de moradores de rua que abordamos nos ouviu com atenção e simpatia, quando perguntei da localidade me olharam com constrangimento e disseram que eram dali mesmo. Eu disse que podiam escolher qualquer lugar, a mulher ficou empolgada e escolheu um outro país rindo muito e o marido disse “enquanto me deixarem eu sou daqui mesmo”.


Colaborações na Intervenção

GENTE É COISA INCRÍVEL


Enquanto a mãe respondia nossas perguntas, um garotinho encantado com os números que apareciam no tablet começou a contar de “1 a 18″ mas do jeito dele… bem alto… 1, 2, 3, 7, 4… e me disse que contando alto daquele jeito aparecia mais rápido no mapa.


Um casal de idosos juntos com seu neto “tecnológico”, na medida em que deslizava meus dedos sobre o tablet o “senhor” acompanhava petrificado e surpreso as letras e os textos deslizando no tablet. Fez o seguinte comentário: “Este é um jornal que não precisa molhar o dedo pra virar a página.”


Visualizações no Vale do Anhangabú (aprox.)


EFEITOS DO MAPA

sobre a vivência

Ao pedir que o público da virada se localizasse, acontecia uma conversa que ia além do questionário e que nos fazia perceber como parte de um grande corpo coletivo.

Softwares desenvolvidos - para celular e computadores

Em algumas abordagens o diálogo que rolava era incrível, porque abria caminho pra discussão e reflexão sobre diversas questões inerentes ao projeto: dados abertos, anonimato, arte na rua, etc.

horas de Intervenção

O ponto mais interessante foi a questão de trazer a geografia daquele momento em relação aos fluxos de pessoas, e por mais que não tenhamos falado com todas as pessoas em todos os locais, ficou clara a abrangência do festival.

Foi como se toda a experiência somada a todos os elementos tivesse se transformado num único corpo.

Demorei pra entender que a arte estaria nessa relação direta – achei que eu veria arte só no mapa final gerado com todos os dados e não: a cada novo ponto ou traço esse mapa já era potencialmente uma obra artística.

Com a maneira como rolou a dinâmica e o aprender a usar o APP, começamos a ter vários questionamentos sobre o nosso contexto geral (de vida, tecnologia, histórico entre outros).

Computadores interligados para processamento

A convivência em um espaço público de pessoas de todos os lugares é um aprendizado muito importante para a cidade, é de fato um exercício de cidadania. E o Lab.E colaborou imensamente neste processo conversando diretamente com o público.

Downloads (iPhones: 360, Androids: 243 em 4 dias)

Me pergunto se as pessoas se relacionam com a cidade com a consciência de que ela é produzida por quem a habita. O uso de tecnologia, um meio super atual e contemporâneo, foi fundamental para criar o interesse nas pessoas por esse debate.

O processo se deu de forma orgânica onde as pessoas envolvidas também são responsáveis pela construção do próprio conhecimento.

Candidatos à monitoria

O processo do treinamento foi bem bacana, desde a seleção fugindo dos padrões corporativos convencionais, da forma em que o projeto foi apresentado, a dinâmica do treinamento para as pessoas se conhecerem de modo informal e o espaço bem bacana onde foi realizado.

PROCESSO COM OS MONITORES

Dava mesmo pra sentir a experimentação em cada processo e não de um jeito imaturo, mas de um jeito contingente. Das experimentações coletivas mais legais que já participei.

Dias de seleção e treinamento dos monitores

Surpreendente como conseguiram instruir e formar a equipe e em tão pouco tempo e com pessoas com o perfil super alinhado!

Monitores Selecionados

Para mim a experimentação começou desde o momento em que o projeto nos foi apresentado, ali pude compreender a amplitude do conceito de mapa e também da subjetivação da amostra de dados, dando caráter não-científico ao resultado final.

Encontrar novos caminhos para coordenar esforços em torno de um projeto é um desafio que carece de iniciativas distantes da política e da hierarquia institucionais.

Trabalho realizado em equipe multidisciplinar e plural. Experiências fantásticas na vivência profissional e ain
da mais no âmbito pessoal.

iPads na Virada

O processo foi organizado, bem estruturado. O treinamento foi bem descontraído, mas com uma seriedade nas ações e propostas, e o que me deixou muito à vontade e feliz por fazer parte dessa “experimentação”.

Mapas gerados na Intervenção

Saiba mais sobre o processo

Processo no Condomínio Cultural

Imersão para criação e pré-produção. Dos 280 candidatos, 50 passaram pela seleção, sencibilização e treinamento para representarem o Mapa de Público durante a virada.

Integrantes experimentais

Jonaya de Castro, Demétrio Portugal, Felipe Brait e Rafael Zenorini _ coordenação
Vitor George e Edu Zal _ artistas convidados
Jana Tineo, Maíra Vaz Valente, Manuela dAlbertas, Luciana Nassan, Lucilio Correia – arte-educadores

Testes para o Telão

Desafio: criar uma arte visualização incrível interligando milhares de infromações enviadas via celular com um núcleo de processamente para arte visualização instalado no meio da virada cultrual. Em Real Time.

Era Arte Coletiva Pura

Estávamos cercados de tecnologia para fazer a experiência rolar quando os bits e bytes do público da virada começaram a se projetar pelos telões, celulares e iPads do Mapa de Público.

Aplicativos e Arte Visualização

Na reta final para criar a tecnologia. Participaram mais de 15 técnicos e artistas que possuíam o objetivo de colocar para conversar Telões, APPs diferentes plataformas e tipos de celular.

A divulgação

Material que publicamos e foi publicado para divulgar a intervenção. Pra ter acesso aos principais links da

clippagem

Participe

Dados abertos do Mapa de Público

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Código Aberto

Mapa de Público

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Orçamento

Atividade Quantidade Unidade Total Cronograma
Produção app 1 10.000,00 10.000,00 março/abril
Pré-produção (pesquisa e desenvolvimento) 3 2.000,00 6.000,00 março/abril
Equipe monitores + coord. 60 120,00 7.200,00 maio
Alimentação e transporte 10 300,00 3.000,00
Recrutamento e treinamento 1 600,00 600,00 abril
Aluguel de tablets 20 63,00 1.260,00 maio
Artistas convidados 2 3.000,00 6.000,00 maio
Coordenação 4 3.000,00 12.000,00 maio
Administração do recurso e coordenação do projeto 1 3.000,00 3.000,00 março/abril/maio
Impostos 4.900,00 maio
Total 53.960,00